Em resumo: os cenários padrão (STS) são operações da categoria Específica já pré-avaliadas pela UE, que um operador pode fazer com uma simples declaração à ANAC, sem pedir autorização caso a caso. O STS-01 é à vista (VLOS) sobre uma zona de solo controlada que pode estar em ambiente povoado, com drone C5; o STS-02 é além da linha de vista (BVLOS), sobre zona controlada em ambiente pouco povoado, com drone C6. O piloto precisa do certificado STS: exame teórico de 40 perguntas na ANAC (75%) mais formação e avaliação prática.
Categoria Aberta vs. Específica: porque existem os STS
A categoria Aberta cobre os voos de baixo risco com regras fixas. Assim que uma operação sai dessas regras — sobrevoar pessoas com um drone pesado, voar além da linha de vista, ultrapassar 120 m — entra na categoria Específica, onde o operador tem de demonstrar que gere o risco.
Há três caminhos na Específica: uma autorização operacional baseada numa avaliação de risco (SORA), um certificado de operador ligeiro de UAS (LUC) para operadores experientes, ou os cenários padrão. Os STS são o caminho mais simples: a avaliação de risco já foi feita pela UE, e o operador limita-se a cumprir o cenário à letra e a declarar à ANAC que o vai fazer.
Os dois cenários padrão europeus estão no Apêndice 1 do Regulamento (UE) 2019/947 e aplicam-se integralmente desde 1 de janeiro de 2024.
STS-01: à vista, sobre zona de solo controlada em ambiente povoado
| Parâmetro | STS-01 |
|---|---|
| Linha de vista | VLOS — o piloto (ou observadores de UA) mantém o drone à vista |
| Onde | Sobre uma zona de solo controlada, que pode estar em ambiente povoado |
| Altura | Até 120 m acima do solo |
| Drone | Classe C5, menos de 25 kg |
| Típico para | Filmagens e inspeções em cidade, obras, eventos com área vedada |
A "zona de solo controlada" é a chave: uma área onde o operador garante que só estão pessoas envolvidas, com uma zona-tampão em torno e um plano para intrusos.
STS-02: além da linha de vista, em ambiente pouco povoado
| Parâmetro | STS-02 |
|---|---|
| Linha de vista | BVLOS — o drone pode estar fora da vista do piloto |
| Onde | Sobre zona de solo controlada em ambiente pouco povoado |
| Distância ao piloto | Até 2 km com observadores de espaço aéreo; até 1 km sem observadores |
| Altura | Até 120 m acima do solo |
| Drone | Classe C6, menos de 25 kg |
| Típico para | Inspeção de linhas e infraestruturas, agricultura, levantamentos em áreas rurais |
O que o operador tem de fazer
Antes de operar num STS, o operador de UAS (empresa ou pessoa) tem de:
- Estar registado na ANAC.
- Ter um manual de operações e procedimentos conforme o cenário.
- Submeter à ANAC uma declaração operacional (o modelo está no regulamento) e aguardar a confirmação de receção e de completude.
- Usar um drone da classe exigida (C5 para STS-01, C6 para STS-02).
- Garantir que os pilotos têm o certificado STS e a formação prática, e cumprir as obrigações do operador (UAS.SPE.060), incluindo a definição da zona de solo controlada e o briefing das pessoas envolvidas.
O certificado STS de piloto remoto
Para pilotar num STS precisas de:
- Certificado A1/A3 ou A2 válido — é o pré-requisito.
- Exame teórico STS na ANAC, presencial, com 40 perguntas de escolha múltipla e aprovação a 75%. Realiza-se nas mesmas sessões mensais do exame A2 (vê o calendário de exames presenciais de 2026). As matérias: regulamentação aeronáutica, limitações do desempenho humano, procedimentos operacionais, mitigações técnicas e operacionais do risco no solo, conhecimentos gerais sobre UAS, meteorologia, desempenho de voo do UAS e mitigações técnicas e operacionais do risco no ar.
- Formação prática e avaliação de competências para o STS em causa, feitas pelo operador ou por uma entidade reconhecida pela ANAC. A ANAC não emite a parte prática; certifica a teórica.
O certificado STS é válido durante 5 anos e reconhecido em toda a UE.
Como te preparares para o exame STS
O exame STS é o mais exigente dos três, porque junta a matéria do A1/A3 e do A2 com temas novos (risco no ar, procedimentos de contingência e emergência do cenário, papel dos observadores, geometria da zona de solo controlada). O que resulta:
- Estuda o Apêndice 1 do regulamento com atenção aos números: 120 m, 2 km, 1 km, 25 kg, classes C5 e C6, zonas-tampão.
- Domina os procedimentos: o que fazer na perda de ligação, na intrusão de pessoas na zona controlada, na deteção de aeronaves tripuladas.
- Treina por tema. A app Eu Quero Voar tem cursos STS-01 e STS-02 separados, com perguntas explicadas e simulados de 40 perguntas no formato do exame.
Perguntas frequentes
Preciso de autorização da ANAC para operar num STS?
Não precisas de autorização, mas precisas de submeter uma declaração operacional e de a ANAC confirmar que está completa. É a diferença entre os STS e as restantes operações da categoria Específica.
Posso fazer STS com um drone sem marca de classe?
O STS-01 exige um drone C5 e o STS-02 um drone C6. Sem marca de classe, o caminho é a autorização operacional com avaliação de risco.
Quem faz a formação prática?
O operador de UAS (segundo o seu manual de operações) ou uma entidade reconhecida pela ANAC. A ANAC faz o exame teórico.
O STS-02 permite voar a qualquer distância?
Não. Até 2 km do piloto com observadores de espaço aéreo, até 1 km sem eles, e sempre até 120 m de altura.
Um piloto com A2 precisa do STS para filmar em cidade?
Depende. A 30 m de pessoas com um C2 chega o A2. Para sobrevoar uma zona controlada em ambiente povoado com um drone maior, é STS-01.
Fontes
- Regulamento de Execução (UE) 2019/947, Apêndice 1 (STS-01 e STS-02) e UAS.SPE.060 — condições dos cenários, declaração operacional, exame de 40 perguntas e matérias.
- Regulamento Delegado (UE) 2019/945 — requisitos das classes C5 e C6.
- ANAC — Competências dos pilotos remotos — pré-requisito A1/A3 ou A2, exame presencial na ANAC, competência prática pelo operador ou entidade reconhecida.